-

terça-feira, 18 de julho de 2017

Baby Driver - o melhor filme de 2017 - até agora

Quando eu pensava que ia passar o domingo pensando e concentrado na estréia da nova temporada de Guerra dos Tronos, acaba que acabei assistindo, graças a uma indicação de Felipe, ao melhor filme deste ano, em minha singela opinião...

Trata-se de 'Em Ritmo de Fuga', original 'Baby Driver', sim "bi-ei-bi-uai beibi" que é como o astro principal se apresenta, quando o interlocutor pergunta 'Baby?'.

Baby é um piloto de fuga (getaway driver) geninho em tudo, mas principalmente atrás de um voltante, quando se transforma num demônio! Sua habilidade é usada por um mangangão do crime, que planeja os assaltos a bancos (principalmente) e contrata sempre uma quadrilha diferente, mas sempre Baby pra tirar os ladrões da cena. Baby paga uma dívida ao chefão, por ter roubado um carro que não devia, quando era pré-adolescente (sim, Baby era um ladrão de carros), e se comprometeu a liderar um certo número de fugas.

Garoto problema, ele é super calado (só que quando fala, arrasa!), ele mora com um pai adotivo (foster parent) que está velho, surdo e vive em cadeira-de-rodas. Na verdade, é ele quem cuida do pai. Ótimos momentos entre os dois!!!

Ansel Elgort, pra quem não reconheceu na foto, é o irmão da Divergente e o namorado da culpada das estrelas. Kevin Spacey é o mangangão, dando um tempo em sua temporada como chefe do Castelo de Cartas, que lhe rendeu ainda mais fama e fortuna. Outros dois 'famosos' que apostaram nessa incursão do jovem diretor Edgard Wright, são John 'Mad Man' Hamm e Jamie Foxx, um dos queridinhos de Tarantino (junto com John Travolta, Samuel L. Jackson, Cristoph Waltz, Harvey Keitel, Uma Thurman, Michal Madsen, etc..).

Não foi à toa que eu falei de Tarantino!

Edgard Wright é, claramente, seu discípulo. É evidente a semelhança, e por que não, a homenagem a "Cães de Aluguel" neste novo filme. O ritmo, os planos, os diálogos, os personagens marcantes, característicos de Tarantino, está tudo lá. Só não está lá o recurso de inversão da história, que Tarantino adora usar, mostrando o fim para depois contar como foi o começo.

Entretanto está lá também a música! Que trilha sonora excepcional!! E não contei, mas deve ter mais de 50 trechos de música no filme. É parte essencial do enredo, já que Baby está permanentemente conectado a um I-Pod (vários sempre com ele) e ele comanda seus movimentos com o ritmo da canções que está ouvindo. Sensacional!! 


De AR-RE-PI-AR !!
(pra quem quer recordar separação silábica...)

Dentre os muitos que reconheci, estão Barry White, Focus, R.E.M, Blurr, Queen, James Brown, Beach Boys e ..... quando eu ouvi uma delas, não resisti e gritei "Nossa!" e comecei a acompanhar num 'air piano', para sorriso inicial e posterior desespero de filhos e Neusa. Trata-se de Unsquare Dance, de Dave Brubeck, sim o fantástico white jazz-man, que morreu há uns poucos anos, já com 90 anos, mas tem seu álbum Time Out entre as listas de Top Ten de muita gente entendida. Unsquare Dance fez parte de um outro LP. Ouçam aqui: https://www.youtube.com/watch?v=IA0HXOdCBgo. Não ouvia a canção há décadas, e não resisti à emoção.

Finalizando, 



Homerinho 
aplaude de pé!!!




segunda-feira, 17 de julho de 2017

Chegou a 7ª temporada de Game of Thrones!!!

Há dez meses, eu estava na metade do mundo que ouvia falar de Game of Thrones

Em dois meses, assisti às seis temporadas, no Now da Net, e passei para a outra metade, que anseia pela nova temporada, QUE COMEÇOU!!! 


Foi ontem
16 de julho de 2017!!!

Hoje já li os 5 livros, venci uma batalha de 5000 páginas.

Que espetáculo!


Lutas, duelos, batalhas, traições, conspirações, expiações, ressurreições, planos,
degolamentos, prisões, torturas, esfolamentos, enforcamentos, cremações
deuses, reis, rainhas, príncipes, lordes, cavaleiros, escudeiros, selos, bandeiras,
guerreiros, meysters, septons, vigilantes, selvagens, fanáticos, imortais,
romance, honra, negociação, alianças, sexo, sangue, fogo, devoção,
cavalos, lobos, dragões, zumbis, gigantes, wargs, corvos, águias, elefantes,
eunucos, prostitutas, cafetões, anões, bastardos, mercenários, babás,  
armaduras, facas, capas, espadas, lanças, bestas, vinhos, venenos, poções,  
mares, muralhas, palácios, castelos, navios, calabouços, tendas, cavernas,
nascimentos, casamentos, funerais, casas, famílias, dinastias, reinos,
starks, targaryens, lannisters, mormonts, freys, boltons, martels,
baratheons, greyjoys, tullys, arryns, dothrakis, tarlys, payne, grey worm,
davos, jon, daenerys, cersei, tyrion, jamie, eddard, robb, catelyn, daario, 
joffrey, arya, bran, hodor, brienne, podrick, sandor, gregor, ramsay, loras,
tywin, melissander, stannis, sansa, shae, theon, jorah, renly, lysa, osha, bronn,
khal, tommen, missandei, sam, gillie, kahl, benjen, oberyn, varys, robin,
arianne, alaine, janos, jojen, barristan, margery, meera, euron,
baelon, aeron, deric, victarion, ilyn, jaqen, hot pie, victarion,
moon tea, milk of the poppy, wildfire, tears of Lys, widows' blood,  
snow, waters, sand, stone, storm, flowers, hill, pyke,
dorne, king's landing, winterfell, riverun, mereen, qarth, braavos, old town, 
volantis, astapor, yunkai, tarth, casterly rock, lys, dragonstone, eire,
white walkers, night watchers, kings' hands, trials by combat, oathkeeper,
father, mother, maiden, crone, warrior, smith, stranger, rhlohr, old, new. 

tudo concatenado, amarrado, resolvido,
cenários, computação, direção, roteiro, interpretações.
fui engolido pela trama, pela qualidade, pelos personagens,
até me imiscuí num deles, abaixo!!





Chegou a 7ª temporada!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

História de um Sorriso

Já um ano se passou!!
_________________________
-
TEXTO ORIGINAL DE MAIO DE 2007
EM OUTUBRO DE 2008, CARLINHOS MUDOU DE PLANO
ANO PASSADO, DONA MIRA FOI SE ENCONTRAR COM ELE!!
___________________________

          Outro dia, chegou a minhas mãos uma reportagem sobre um rapaz que ‘corre’ o mundo divulgando sua luta, e que luta, já que nasceu sem os dois braços e sem as duas pernas. Sua peregrinação pelo otimismo é acompanhada por um constante e tocante sorriso.


          Presenciamos um sorriso como aquele todo dia lá em casa, em meu cunhado, com seus inacreditáveis 54 anos de idade. Seu nome, Antônio Carlos, mas só na certidão... pra todo mundo, Carlinhos, nosso querido!

            Seu nível de consciência é de uma criança de dois anos, mas é o suficiente para demonstrar seu estado de espírito. Está, na maior parte do tempo, com um sorriso no rosto. É sua melhor expressão. A fala é limitada: quando estimulado, profere alguns vocábulos que só nós entendemos, dissílabos, raramente tri. Agradece sempre que o ajudamos, faz carinho no cabelo da irmã e da sobrinha, retribuindo o carinho que elas constantemente lhe dão. Conhece a todos nós pelo nome. E também conhece alguns parentes e amigos que deram atenção a ele, ao longo de sua pacata vida. Outro dia, recebemos a visita de três senhoras, uma tia e duas amigas, que ele não via há 15 anos, e ele lembrou-se perfeitamente delas. Não reclama de nada: quando fica sério, sabemos que não está bem, alguma dor o perturba, mas não sabemos onde. Damos aquela medicação tipo medicina familiar, ele volta ao normal e nem sabemos como. Vive naquele mundinho que só ele entende. Não presta atenção em TV, mas acompanha com a cabeça as pessoas que passam à sua frente. Também capta as presenças do outro mundo, notamos pelo seu movimento de defesa, por vezes. Sua única distração é uma bola amarela que ele passa de uma mão à outra em movimentos ritmados, repetitivos: bola na mão direita, bate na barriga, coça o dedo duas vezes, passa para a mão esquerda, bate duas vezes a bola na barriga, coça uma vez o dedo, passa a bola para a mão direita, todo o dia, a vida toda. De vez em quando, muda a série, numa lógica que só ele entende. 
           Quando não está segurando a bola, está segurando o vidro em que urina; fosse outro, jogava o vidro longe .... um santo. Não fosse esta 'educação', minha sogra estaria ainda mais piradinha do que já está. Ele costuma avisar quando vem a vontade (ele mexe lá), porém não é sempre que alguém está olhando para ele, de forma a poder perceber o aviso. De tão cansada de fazer estágio segurando o vidro e esperando a natureza ajudar, minha sogra acabou por conseguir ensiná-lo a segurar o recipiente. É muito chato quando escapa e ele faz suas necessidades no chão, tem que levar pra cama, trocar tudo, lavar ele todo, enfim, não sei como ela agüenta, no alto de seus 84 anos. Acontece, em média, uma vez por dia, apesar de todo o cuidado. Isso sem contar as ocasiões mais, como direi, mal cheirosas: apesar de os pais terem conseguido regular seu intestino e ele só defecar durante a manhã, já sentado ao vaso, e quando estimulado por laxante, de vez em quando escapa e aí, já viu, né?! Felizmente, essas ocasiões são mais raras. A vida dela tem sido essa missão resignada, de fazer tudo por um menino que não consegue fazer nada por si só, banhar-se, alimentar-se. Por muito menos, e já há algumas décadas, outros o teriam deixado aos cuidados de casas especializadas. Bem, fosse assim, e certamente ele não teria chegado à idade que está. Ele chegou até aqui à guisa de muito amor, dedicação, carinho.
        Ele vive aquela vidinha, todo dia, a mesma coisa: da cama para a cadeira de banho, da cadeira de banho para a cama, da cama para a cadeira de rodas, onde passa o tempo em que está acordado, depois, de volta para a cama, sempre com a ajuda do nosso inseparável e fundamental companheiro, o levantador de doentes, em inglês, patient lifter.  Trata-se de um macaco hidráulico bonito, todo cromado, que, em conjunto com alguns assessórios (ganchos e cestas), torna possível a movimentação de incapazes. Graças a ele, pessoas como minha sogra, esposa, filhos e empregadas podem mover um ser inerte de 65 quilos pra lá e pra cá e seguirem suas vidas adiante sem sérios problemas de coluna. Nunca me esqueço que meu sogro sempre fez aquele esforço sozinho, anos a fio, no muque, como diziam, por absoluta ignorância nossa, não sabíamos da existência daquela fenomenal ferramenta. Quis o destino que, na mesma época de sua morte, passou também para o andar de cima o sogro de meu irmão, de quase 90 anos, também imóvel. Caiu a ficha em meu irmão que, em seguida, apresentou-nos à oitava maravilha do mundo, e nós a adquirimos, de imediato. Claro que minha sogra, ainda fragilizada pelo momento de perda, rejeitou o aparelho, dizia que não aprenderia a mexer naquela geringonça, enfim. Hoje, todas as noites, antes de se deitar, dá um beijinho no monstrengo, que viabilizou sua vida (e a nossa) desde a partida de seu companheiro de missão, em 1992. Ela passava então a depender única e exclusivamente de sua única filha.
         Uma situação que ela sempre rezou para que não acontecesse. Não passava pela cabeça dela atrapalhar a vida da filha com aquela configuração familiar de dedicação e sacrifício. Qual nada, depois do desenlace, lá se vão 15 anos, trouxemos os sobreviventes para o Rio e foi tudo sempre muito tranqüilo. Colocamos mãe e irmão em um apartamento no mesmo prédio em que morávamos, após uma pequena reforma no banheiro, de maneira que seguiam suas vidinhas, separados, mas muito próximos. Sempre estávamos juntos, porém, vivíamos sob diferentes tetos. Ela se sentia com uma certa liberdade, comandava sua casa, tinha sua empregada para ajudar e, claro, o criado cromado, mudo e sempre eficiente. Ele só requeria uma manutenção periódica e uma troca de óleo pelo pagamento de seus serviços. Fomos todos ajudados, também, pela excelente saúde de meu cunhado. No máximo, umas crises de gritos, muito poucas e em bem menor freqüência que antes, em sua terra natal. Tudo controlado por uma medicação de fundo, anti-convulsiva, que ele vem tomando desde criança. Seu sorriso sempre estava presente, um sorriso de agradecimento, parece. Claro que estavam os dois amparados por um plano de saúde, ainda bem que nunca precisamos utilizá-lo para o meu cunhado. A única vez em que o fizemos foi para a realização de exames ambulatoriais, que realizamos (resultados normalíssimos, saúde de ferro) à época da grande movimentação de nossas vidas: a mudança para outro país, a terra americana. 
         Eu sempre desejara uma missão permanente no exterior, a empresa em que trabalho oferecia esta possibilidade, porém eu nunca procurara mostrar interesse, devido à minha peculiar situação familiar, com uma configuração que comprometia. Tanto tinha certeza da impossibilidade que, quando recebi o não solicitado e muito inesperado convite, alertei meu diretor de que as chances eram bastante remotas, devido àquela situação. Surpresa absoluta, quando cheguei em casa e falei à minha esposa sobre a oportunidade, ela, que sempre recusara a hipótese de sair do Brasil por causa daquilo tudo, pensou 2 minutos e disse: Vamos nessa! Naquele curto intervalo de tempo, ela vislumbrou uma excelente oportunidade de dar à mãe e ao irmão uma atenção exclusiva, tempo integral, coisa que ela não podia fazer aqui, devido ao trabalho. Além, é claro, dos benefícios para nossos filhos e minha carreira. Os três meses seguintes, de preparação, até a partida, entretanto, foram de batalha inglória de tentar convencer minha sogra de que aquela decisão não era uma loucura. Ela chegou a sugerir que fôssemos, que os deixássemos aqui, amparados, que eles ficaria numa boa! Só nos faltava essa, nunca nos passou pela cabeça a idéia de viver longe deles. O maior temor da velha senhora, além da natural resistência a mudança, compreensível naquelas situação e idade, era a viagem, em si: o menino não vai agüentar, ele vai ficar nervoso, vai se sujar todo, vai ter crises, vai gritar, vai incomodar todo mundo, enfim, tudo o que de ruim poderia acontecer, era líqüido e certo de que aconteceria, em seu raciocínio, fragilizado naquele momento de incerteza. Na verdade, eu dizia que não se peocupasse, que tudo daria certo, mas, lá no fundo, eu estava bem preocupado, sem transparecer, com aquele que viria a ser o dia mais tenso de minha vida.
         Fomos acompanhados por uma pequena comitiva de amigos, na partida. Felizmente, os temores de minha sogra não se confirmaram, como todos sempre lhe diziam. Ainda não havia o vôo direto, sem troca de aeronave, o que facilitaria muito nossa vida. Teríamos que desembarcar em uma escala, esperar por mais de 3 horas, caminhar um bom pedaço para trocar de terminal, e somente então embarcar para o destino final em outra companhia aérea. Deu tudo certo na viagem, fora o trabalho normal, que já esperávamos, meu cunhado ficou ótimo o tempo todo, quase 24 horas, de casa a casa. O tempo de espera na escala foi  bastante movimentado,  começando com a retirada de nossos 14 volumes, incluindo cadeira de rodas e o inseparável patient lifter, além de, nas mãos, outros 10 volumes. Éramos 7 (levamos uma empregada, que não durou muito conosco), foi uma verdadeira invasão! Aconselhados de que era arriscado fazer o despacho normal, automático, de bagagem para o outro terminal, dado o indecente volume, fomos a pé mesmo, carregando tudo para o outro terminal. Contratamos um negão enorme, que conseguiu colocar aquilo tudo empilhado num carrinho só e lá fomos nós por aqueles terminais afora… às vezes, caía uma mala lá de cima … parecíamos a Família Buscapé! Novo embarque, movimentação de meu cunhado da cadeira para a poltrona, no muque, e finalmente, a última perna do vôo. Na chegada ao destino final, uma outra comitiva nos esperava, e com tanta gente pegando mala, acabamos por levar também a mala de outra pessoa que estava lá perdida na esteira. Felizmente tudo acabou se resolvendo. Começava uma vida nova para todos
         Nossa vida americana foi um período especial, no aspecto familiar. Num sobrado grande, instalamos os mais velhos no piso inferior. Não sem antes, claro, de uma reforma básica, feita antes da triunfal chegada, por conta das necessidades de meu cunhado: numa terra sem ralos no banheiro, era impossível banhá-lo sentado ao vaso, como sempre se fazia. Removemos a banheira, transformando-a num box, onde ele foi banhado diariamente sobre uma cadeira de banho. Era a primeira vez em que estávamos todos sob um mesmo teto. Minha sogra sentiu-se mais amparada, recebíamos visitas de outras famílias brasileiras. Ela sentiu-se mais paparicada. E dava para perceber a felicidade de meu cunhado, seu sorriso era mais freqüente, seu olhar mais agradecido, gostava do movimento de entra e sai das crianças, era mais gente lhe dando atenção. Chegou a aprender os nomes de amigas de minha esposa que lhe davam atenção especial. Com muito esforço, ensinamos também que ele estava nos Estados Unidos. Perguntávamos se ele queria voltar para o Rio, ele dizia: “Não”; aonde ele queria ficar? ele dizia: “Aqui”; aonde?, ele respondia: “i-idos”, (tentamos acrescentar o nome do país em que estávamos a seu pequeno vocabulário particular e era assim que ele traduzia). Durante o nosso período americano, ele não teve sequer uma crise, com gritos, daquelas que usualmente tinha no Brasil. Foram quatro anos bem aproveitados. A volta ao Brasil foi bem mais tranqüila, já que não houve troca de aeronaves, ou seja, menos necessidade do muque! Aqui, de volta à terrinha, permanecemos na configuração de antes, juntos, mas separados por 2 andares, mas sentíamos que minha sogra tinha saudades da época em que estivemos todos juntos e, finalmente, agora estamos todos sob o mesmo teto. Meu cunhado continua bem e expressando seus desejos da mesma forma. Perguntamos se ele quer voltar para os Estados Unidos, ele diz: “Não”; aonde ele quer ficar?  ele diz: “Aqui”; aonde? ele responde: “ Rio”. É, na verdade, parece que ele quer mesmo é tranqüilidade, esse negócio de viajar de avião não é lá muito com ele. Do estágio americano, trouxemos um facilitador a mais, a cadeira de banho, que lá usávamos para banhá-lo no box: em um belo momento, caiu a ficha de que poderíamos continuar usando-a. Aqui, ela veste o vaso e o banhamos com a ducha. Economizamos duas utilizações do criado.
         Lembro-me que quando entrei na vida deles, lá se vão 30 anos, eles moravam num sobrado de uma rua tranqüila de bairro em Santos, e eu presenciava o esforço de meu sogro. A casa era antiga, não tinha um grande banheiro no piso inferior, todo o ‘serviço’ de higiene de meu cunhado era feito num pequeno banheiro, sem nenhum espaço para cadeira de rodas: não dava para ‘estacionar’ a cadeira de rodas ao lado do vaso. Meu sogro pegava meu cunhado no muque, fora do banheiro e o arrastava até o vaso. É bem verdade que, à época, ele pesava bem menos, uns 40 ou 45 kilos no máximo, mesmo assim um esforço e tanto. E ele nunca me deixou ajudá-lo: era a missão dele.  Na época, ele já estava aposentado há uns 11 ou 12 anos. Ele dormia num colchão, ao lado da cama do menino, na sala de jantar: naquela época, já estava impossível levá-lo aos quartos superiores. Antes da aposentadoria, quem cuidava do menino era a mãe, para possibilitar o trabalho do pai, que era doqueiro. Isso mesmo, cuidava da casa, da comida e do menino, de vez em quando auxiliada por uma empregada, nem sempre constante, sabemos. Levava-o a médicos, fisioterapeutas, fono-audiólogos, tudo fazia para tentar dar uma vida um pouco mais normal ao filho. Teve até um período em que ele ia a escola. A casa deles era o ponto focal da família, até mesmo da vizinhança. A dificuldade de locomoção de meu cunhado tornava natural a escolha. E minha sogra não deixava por menos, sempre recebia a todos, muito bem servidos. Nos domingos, eram sagradas as reuniões de família, quando as crianças brincavam, as mulheres conversavam e os homens jogavam sueca. Nunca houve um ano sem festa de aniversário das crianças, ou sem festa junina, ou sem a reunião de Natal, com Papai Noel distribuindo presentes, até mesmo para as crianças pobres que para lá acorriam. Eram os momentos de maior alegria de meu cunhado. Até uns 15 ou 16 anos de idade, meu cunhado conseguia até andar, apoiado num carrinho de madeira com rolemã, montado pelo avô, pai de meu sogro, que dedicou o final de sua vida ao garoto, até que a doença o impossibilitou. O outro avô também estimulava muito o menino. Tinha muita paciência e perseverança para tentar ensiná-lo a fazer um pouco mais por si só.  Com todas as limitações que tinha, meu cunhado conseguia até mesmo dar uma volta no quarteirão empurrando o carrinho, acompanhado pela irmã e amigas, ou quem pudesse, ia andando com suas perninhas atrofiadas e fazendo “Piiii”, como se fora um trem em movimento. E xingava os mendigos que passavam! Não por maldade, claro! É que ele, quando estava em casa, ficava olhando a rua, da varanda, com aquele movimento da cabeça pra lá e pra cá, chegava um mendigo pedindo um prato de comida, e parecia que meu cunhado dizia “não” com a cabeça, sem lhe dar atenção. O mendigo então o xingava de várias maneiras, sendo a mais freqüente: “Filho da P _ _ _!” Então, quando andava pela rua e via um maltrapilho, soltava o verbo: “P _ _ _”. E morria de rir! É assim que ele aprendia. Ele era badalado e festejado por toda a vizinhança. Interessante que, embora eu ainda não conhecesse a família naquela época, tenho na mente a imagem do Carlinhos andando, empurrando o carrinho, com aquele jeitinho trôpego. Talvez por ter passado de carro alguma vez por lá, o que é improvável, pois não havia muitos motivos para eu andar por aquelas bandas. Ou, sei lá, talvez minha mente tenha montado inconscientemente a imagem, devido à nossa proximidade e afinidade e aos relatos que ouvi. Talvez Freud explique! 

             Ele conseguia até mesmo se arrastar pela escada até seu quarto, então no andar superior. Contam-me que, no difícil caminho de subida, ele parava em frente a uma imagem de Santa Terezinha que fora pintada por sua mãe e pedia: “a-inha, andá!”, traduzindo, “Santa Terezinha, me faça andar!”. Infelizmente, seu desejo foi ficando cada vez mais difícil de ser atendido: apesar de sempre ter feito fisoterapia, especialmente para as pernas, ele foi crescendo, mais o tronco e os membros superiores do que as pernas, que continuavam atrofiadas, o esforço começou a ser cada vez maior até que um belo dia, parou de vez, e começou sua rotina cadeira-vaso-cama. O que não foi empecilho para seu pai deixar de cumprir, todo santo dia, ou melhor, toda santa noite, uma outra rotina, infalível: depois do jantar, colocava o garoto no fusquinha, e ele ia lá, agarrado à alça de segurança do painel, com seu “Piiii”, num passeio até a praia para visitar seus queridos tios e padrinhos e comer pipoca. Na volta, meu sogro sempre fazia questão de fazer o caminho maior para poder passar pelo único túnel da cidade e ouvir o filho gritar: “Úneu, Úneu!”. Pequenas alegrias de uma vida obstinada. Vida que foi muito modificada por minha chegada, já que tirei daquela casa o maior motivo de alegria da família, a filha tão querida, luz da vida deles, pai, mãe e irmão, sobre quem eram lançadas todas as expectativas, onde se depositavam todos os sonhos. Claro que o casamento da filha fazia parte dos sonhos da mãe, ela sabia que ela sairia de casa um dia. O problema é que eu não só a tirei de casa, mas sim, da cidade, levei-a para uma outra bem longe, a 500 quilômetros daquele peculiar recanto familiar. Senti, ao vê-los pelo espelho do carro, um pouco de remorso. Posso imaginar como foram aqueles primeiros tempos sem ela. Mas, assim é que a vida se configurava, fazer o quê? Fizemos muito para tentar diminuir o sofrimento deles: nossas viagens para fora do Rio sempre foram para visitá-los. Íamos todos os meses passar 2 ou mais dias com eles, conforme deixavam os compromissos (e feriados) de nossos empregos, estava fora de cogitação aproveitar, por exemplo, um feriado prolongado sem bater o ponto em Santos; quando minha esposa tinha mais disponibilidade, ficava lá por mais tempo e eu ia todos os fins-de-semana, de ônibus. Enfim, fazíamos a nossa parte.

                    Em outras ocasiões, fazíamos o inverso: trazíamos todos para o Rio. Ia de carro sozinho num sábado e pegava a estrada de volta no domingo, com sogro, sogra, cunhado e cadeira a tiracolo. Numa dessas viagens, a minha freqüentemente alta velocidade fez com que fôssemos parados por um guarda rodoviário. Assim que eu lhe entreguei os documentos e estava prestes a começar minha ladainha de desculpas, nem foi preciso. Meu cunhado, que vinha a meu lado, começou a falar alto, gritar, berrar, como ele fazia às vezes, eu disse: “Ele é doente!” e o guarda, rapidinho, deu-me os documentos de volta e disse: “Pode ir, doutor!”. Até parece que meu cunhado captou o momento, e sua reação foi proposital pois, logo depois que partimos, pararam os gritos e seguimos viagem como se nada tivesse acontecido. E rindo muito da inteligência do menino-senhor de 33 anos. Meu sogro adorava aqueles períodos no Rio, era sua única oportunidade de sair daquela vidinha pacata e sofrida que tinham. Adorava ir à padaria, ao super-mercado, a pé, conversava com os porteiros, com os guardas de trânsito, simples que era, fez muitas amizades. Nunca ouvi daquela boca de meu sogro, em meus quinze anos de relacionamento, uma reclamação, um lamento, sempre estava alegre e brincalhão, mas sempre buscando forças na espiritualidade para entender e assumir a missão que lhe fora conferida. Espiritualidade que, contam, atuou decisivamente em três ocasiões, em que meu cunhado foi dado como desenganado, esteve a ponto de desencarnar, como dizemos. Muita oração, muito pedido, muita promessa, muita fé, fizeram com que ele continuasse neste plano, nesta visita, nesta encarnação. Seguramente, ainda não era a hora de dar como cumprida sua missão ou a de seus pais e irmã (ou mesmo a minha, que ainda nem estava na vida deles). Sábios são os desígnios do éter, que disseram: continue por aí, há muitos lições a aprender, muitos exemplos a dar, muitos pecados a expiar, quem pode saber? Assim deve ter sido também a decisão superior que não o deixou ser levado, quando tinha 11 meses de idade e foi acometido por uma encefalite. Não foi o suficiente para levá-lo, apenas para deixar as seqüelas com que convivemos até hoje. 

               E vivemos bem, não tenham dúvida! Temos sempre momentos a mais para festejar do que as outras famílias. Temos sempre uma criança em casa, embora já com alguns cabelos brancos, de quem podemos apreciar as façanhas. Como quando a sobrinha chega na frente dele e fica parada, esperando a sua reação, e ele responde com o gesto de ‘Barra Limpa’, coisa da época da Jovem Guarda, aquele sinal de positivo que o Roberto Carlos fazia, com o polegar para cima, é uma festa! Aliás, ele jamais se esquece da Vanderléa. Ou quando damos a ele a bola amarela, para ele poder fazer seus exercícios, olhamos fixamente para ele, como a pedir agradecimento, e ele diz: “Anato!”, isto é, “Obrigado”, é uma festa! Ou quando ele acorda e o colocamos na privada para seu estágio matinal e peguntamos: “Como é que se fala quando acorda?” e ele diz: “A-dia!”, isto é, “Bom dia”, é uma festa! Ou ainda quando a irmã chega e pergunta: ”Quem é o menino mais bonito do mundo?” e ele responde: “Cacaulo!”, que é como ele se refere a si mesmo, e depois “E quem é o Cacaulo?” e ele diz: ”Eeeeu!”, é uma festa! Ou ainda, claro, quando ele urina no vidro ou defeca no vaso, também é uma festa! Por outro lado, dias há, em que entra em seu pequeno mundo e fica mudo, impassível, sem reagir a qualquer estímulo. Sabe-se lá o que se passa em sua mente, que funciona em um estágio incompreensível para nós. Na primeira vez que aquilo aconteceu, durante nosso exílio americano, foi um baixo-astral tremendo, uma tristeza pela casa, pensamos que ele havia desligado,  tememos que nunca mais fôssemos ouvir sua voz. O silêncio durou quase uma semana, mas, felizmente, acabou, e ele voltou de sua catarse, como se nada tivesse acontecido, parece que foi fazer uma viagem astral para reciclar-se. Vez por outra, esses momentos de ausência total se repetem. E, felizmente, até hoje, houve retorno. E sempre agradecemos muito quando ele volta. Como disse, nos alimentamos com suas reações. A casa não é mesma sem aqueles pequenos momentos. Vez por outra, quando ele está bastante inspirado, fazem-no rezar a ‘Mamaria’, antes de deitar, virado para aquela mesma imagem de Santa Terezinha da subida da escada da antiga casa. É mais ou menos assim:

        
“Ave Maria, cheia de ..... “                       e ele:    “Assa”
“O Senhor é con ..... “                              e ele:    “Ôsso”
“Bendito é o fruto do vosso ventre ..... “    e ele:    “Esus”
“Santa Maria, Mãe de ..... “                       e ele:    “Deus”
“Rogai por nós, peca ..... “                        e ele:    “Ôres”
“Agora, e na hora de nossa  ..... “              e ele:    “Óti”
“A ..... “                                                  e ele:    “Mein” 

Depois, o deitam, colocam sua fralda noturna, o viram de lado, que é como ele gosta de pegar no sono, e falam:

          
“Agora, o Cacaulo vai sonhar com quem?”         e ele: “anjinhos!”

E ele fecha os olhos, ainda com o sorriso em seu rosto, ele sim, um verdadeiro anjo aqui na Terra. Até parece que ele está aqui para olhar pela gente.

         Vida longa ao seu sorriso!

-----------------------
Infelizmente, o sorriso se apagou um ano depois....
... um dia antes de completar 55 anos de idade.
Agora ele é um verdadeiro anjo, lá no céu.
Com toda a certeza, ainda olhando por nós!! 

Aqui, uma foto da família atual...

 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

CeL - London Rocks

Hoje, no Dia Mundial do Rock. Homenageio
A Cidade do Rock
___________________________
Este é um aperitivo do Projeto 
Cel - Caminhar em Londres (link)

Na verdade, antes de começar a descrição de minha peregrinação  londrina, faço uma introdução sobre uma característica da cidade: Londres respira música!! E se não foi o berço do rock'n rol, foi lá que apareceram as melhores bandas de rock de todos os tempos!


O rock nasceu nos Estados Unidos (Bill Halley, rocking around the clock) mas floresceu na Inglaterra. Foi naquela ilha de miserable weather que o ritmo encorpou, amadureceu, virou gente grande, chegando à fase adulta em 1 de julho de 1967.


Os discos de Chuck Berry, Little Richards, Elvis Presley, Fats Domino, Jerry Lee Lewis e Buddy Holly, todos americanos, dentre outros, chegavam pelo Atlântico e desembarcavam em Liverpool, e dali pro resto da Inglaterra. Na cidade portuária do oeste inglês encontraram uma juventude receptiva, ansiosa por aquela coisa nova. Aqueles discos eram tocados à exaustão nas vitrolas dos jovens, ao ponto de causar blisters on the fingers dos tocadores de guitarrra, dentre eles, três nossos conhecidos, chamados George, Paul e John.


Mas eles foram só o começo! E que começo!


Pode contar, lembre-se de uma banda famosa de rock and roll, que eu lhe direi que é Inglesa! Vamos lá, diga? 

Led Zeppelin? Inglesa! 
Pink Floyd?  Inglesa!
The Who?  Inglesa!
Queen?  Inglesa!
Rolling Stones? Inglesa!
Beach Boys? Ah, sim, ufa, UMA americana

Vamos, continue! 

The Police?  Inglesa!
Cream?  Inglesa!
Yes?  Inglesa!
Smiths? Inglesa!
Genesis?  Inglesa!
Cold Play?  Inglesa!

Eagles? Sim, outra americana!
Deep Purple? Inglesa!
Radiohead? Inglesa!
David Bowie? Inglesa!
Black Sabbath? Inglesa!
Sex Pistols Inglesa!
Aerosmith? Sim, outra americana!


The Monkies? Sim, outra americana
mas essa nem pode ser consideradafoi uma jogada de marketing espetacular, 
um espelho dos Beatles, que fez enorme sucesso! 


Quer continuar? Já se convenceu? Claro que eu fui um pouquinho só tendencioso ao escolher, mas não há dúvidas de que a proporção é de no mínimo 4 pra 1 a favor das bandas da ilha!


Não dá pra comparar! E todas elas sem exceção passaram por Londres. Por essas e outras que minha relação com a cidade vem de longe. E por isso que o pano de fundo de minhas caminhadas foi o rock!

Ah, sim, se alguém se perguntou por que eu disse aí em cima, que em 1 de julho de 1967, o rock atingiu a maioridade, é porque naquele dia, o mundo conheceu
Sgt.Peppers Lonely Hearts Club Band 

Abraço 

Homerix Sempre Roqueiro Ventura

quarta-feira, 12 de julho de 2017

A Arma Escarlate

O 3º livro terá 95 capítulos...

Tudo começou com este aqui....


SINOPSE:

O ano é 1997. 
Em meio a um intenso tiroteio, durante uma das épocas mais sangrentas da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, um menino de 13 anos descobre que é bruxo.

Jurado de morte pelos chefes do tráfico, Hugo foge com apenas um objetivo em mente: aprender magia o suficiente para voltar e enfrentar o bandido que ameaça sua família. 

Neste processo de aprendizado, no entanto, 
ele pode acabar por descobrir o quanto de bandido há dentro dele mesmo.

O livro já está na 5ª edição!!
Leia este aperitivo, desta vez com uma parte integrante do livro!!!

A NOTA DA AUTORA:
Em uma entrevista com J.K. Rowling, autora da série Harry Potter, um fã norte-americano lhe perguntou se ela algum dia escreveria um livro sobre uma escola de bruxaria nos Estados Unidos. Ela respondeu que não, 
… mas fique à vontade para escrever o seu.” 
Sentindo-me autorizada pela própria Sra. Rowling, resolvi aceitar o desafio: Como seria uma escola de bruxaria no Brasil? Especificamente para este primeiro livro, como seria uma escola de bruxaria no Rio de Janeiro? 
Certamente não tão completa, nem tão perfeita, quanto uma escola britânica. Talvez ocorressem algumas falcatruas aqui, outras maracutaias ali… certamente trabalhariam nela alguns professores geniais, porém mal pagos. Com certeza não seria em um castelo. Faltaria verba para tanto. Mas, quem sabe, dentro de uma montanha. Há centenas no Rio de Janeiro. Algumas bem famosas. 
Como um bom brasileiro, Hugo, meu personagem principal, também não seria tão certinho quanto Harry. Nem tão ingênuo a respeito das realidades duras da vida. Órfão? Não. Filho de mãe solteira e pai sumido; como tantos que moram nas comunidades pobres da Cidade Maravilhosa. Esperto, arisco, inseguro, amedrontado até, mas se fingindo de forte, para sobreviver. 
Essa era a ideia básica, mas que depois cresceu e tomou uma proporção muito maior do que eu jamais imaginara. Os personagens foram ganhando vida própria, personalidade… até saírem completamente de meu controle. 
Às vezes, ao longo da escrita, eu chegava a me surpreender com algumas de suas reações; completamente alheias ao que eu havia planejado, mas que combinavam perfeitamente com quem eles eram.
Até que chegou um dia em que eu, morrendo de rir do absurdo que eu mesma acabara de escrever, parei tudo e liguei para um de meus melhores  amigos, perguntando: “E agora, o que eu faço? Como tiro Hugo dessa enrascada em que ele acabou de se meter por causa da língua afiada dele?"
Meu amigo, confuso, perguntou: “Você não pode simplesmente mudar o que ele disse?” 
Não! Não posso! Ele não responderia de nenhuma outra forma.” 
Ué, por que não?
 

Porque ele é o Hugo! E o Hugo é indomável.
_________________________

É legal ou não é?
________________
Neste link, como foram as primeiras reações ao livro:
http://blogdohomerix.blogspot.com/2011/12/arma-escarlate-o-que-estao-dizendo.html
Aqui, neste video, Patrícia Fagundes entrevista Renata!!!!



________________________ 

Aqui, se tiver curiosidade, uma outra entrevista legal da Renata, 
http://www.cacadoradelivros.com/2012/04/caca-autores-renata-ventura.html
A página do livro no Facebook:
https://www.facebook.com/sonia.lazzari#!/A-Arma-Escarlate-209624942406590/?fref=ts
Fã Clube: 
https://www.facebook.com/search/str/a+armada+escarlate/keywords_search
Neste link, descrevo como foi a noite de autógrafos da 1ª Edição... 
muitas emoções!!!                      
http://blogdohomerix.blogspot.com/2011/11/o-lancamento-da-arma-escarlate.html  
 e

Compartilhe com sua Galera!!!!   
Abraço  
  Homerix Avô de Hugo Escarlate Ventura

Uma batalha de 5.000 páginas

Terminei! 

A última batalha foi de 960 páginas, completando quase 5.000 que me deleitaram nos últimos 9 meses (com um mês de intervalo, esperando o quinto chegar). 

Valeu cada linha!

O último livro da saga Game of Thrones complementa o penúltimo, com os personagens que faltaram naquele, em que nada vimos de Tyrion e Daenerys. Em ‘A Dance with Dragons’ acontecem muito mais Points of Views deles que dos outros. Jamie, Cersei, Arya, somente voltam lá pela página 600, quando os acontecimentos voltam a ser paralelos.


Mas o que impressiona mesmo são as diferenças em relação à série da HBO. Gente, os produtores da série convenceram o autor a modificar muitas coisas muito importantes, e que por vezes, fizeram-na até mais interessante... nem sei por onde começo ...

Tyrion, por exemplo, em sua escapada rumo às cidades livres, Lord Varys o coloca num navio com uma trupe composta pelo jovem Frog, um Lorde, um maester, uma septa, um cavaleiro. Logo, você vai percebendo que eles são um time. Na verdade, Frog é o príncipe Aegon, que pensávamos ter tido a cabeça esmagada pelo Montanha Gregor Clegane, junto com sua irmã, ambos filhos de Elia Dorne, também eliminada no mesmo ato cruel. Na verdade, o esmagado seria um outro bebê qualquer, coitado.... Aegon fora salvo por Lord Varys, e criado pelo grupo para ser preparado para ser um príncipe de verdade, aprendendo línguas, religião, história, e a como se tornar um cavalheiro. Claro que Tyrion logo descobre que o sapo era um príncipe!! E é nessa viagem que Tyrion cai no mar e é salvo de ser tocado pelos Stonemen, pelo tal Lorde Jon Connington, e não por Jorah Mormont, como na série.

E Tyrion acaba se relacionando com uma outra anã, veja só, uma que vemos na cerimônia de casamento de Jofrey com seu irmão e outros anões. Ela encontra Tyrion já acorrentado por Mormont, num cabaré de Volantis, e tenta matá-lo, em vingança pela decapitação do seu irmão, que fora confundido com o anão Lannister, cuja cabeça fora colocada a prêmio por sua irmã Cersei, lembram-se. Depois, acabam se aproximando, rumo a Mereen, e rola até um beijinho, mais por pena de Tyrion. Eles são realmente escravizados no caminho, e chegam a Mereen, e acabam mesmo se apresentando na arena para Daenerys, ele montado num porco e ela num cachorro. No mesmo dia, logo depois, Drogon, o maior dragão realmente chega, faz uma destruiçãozinha básica e decola, já com Daenerys montada. E isso ocorre ANTES de ela conhecer Tyrion.

E aí veêm as mudanças com Daenerys. O episódio da arena ocorre com ela CASADA com Hizdahr zo Lorak (ou algo assim), um dos mestres de Mereen, que a convenceu a se casar com ela em troca da pacificação com os mascarados Sons of the Harpy, que estavam promovendo uma matança desenfreada. Ao menos até o final do livro, o kingsguard Barristan the Bold Selmy está vivinho Da Silva, e não morre, como na série, tentando salvar Grey Worm, e este último nunca é atacado.... Talvez no livro 6.... Barristan, inclusive, após o voo de Daenerys, desconfia do novo Rei e consegue depô-lo e prendê-lo, e torna-se Queen’s Hand!! Mesmo sem a Queen no castelo...

O livro começa com um personagem que absolutamente não é mencionado na série. Quentin Martel é filho do Príncipe Doran Martel, de Dorne. E ele está em viagem rumo ao leste, com um acordo de casamento com Daenerys. Quando ele chega, Daenerys já está casada, mas o recebe bem e até o leva para conhecer os dois dragões acorrentados. E isso acaba sendo sua desgraça porque depois, ele se junta a uma Companhia de Mercenários, Windblown, e promete resgatar os dragões para mas acaba morrendo na operação e os dragões fogem! Portanto NÃO É TYRION QUEM SOLTA OS DRAGÕES, COMO NA SÉRIE. Quanta invenção!!!

As ocorrências de Castle Black têm algumas diferenças também. Stannis chega lá sem Davos, que segue sozinho buscando alianças para aumentar sua tropa, vários capítulos só com ele. Outro que não chega na Muralha é Tormund Giantsbane, que só chega bem depois, com seus milhares de selvagens, trazido por Val, que vem a ser a cunhada de Mance Ryder.... e este, pasmem, NÃO MORRE NA FOGUEIRA. Melisandre salva o King Beyond the Wall, e engana a todos com feitiço, e ele está vivo, e sai em missão em busca de quem de Arya Stark, que estaria se casando com Ramsey Bolton. Jon realemente morre, mas não pelas mãos de Allistair Thorne e de um garoto que teve seus pais estraçalhados pelos selvagens. Este nem aparece no livro, e o mestre de armas é mandado por Jon Snow pra outro castelo do muralha, bem antes. Jon acaba o livro morto!!!

Você reparou aqui em cima que eu disse que Ramsay se casa com Arya Stark, né? Ué, mas não era Sansa que se casaria com o bastardo Bolton, em casamento arranjado por Littlefinger? Bem, no livro, nada disso acontece e é Arya quem se casa, mas, calma, na verdade, não é a Arya real, e sim Jeyne Poole, numa trama tramada (!) pelos Lannisters, para dar poder a Lord Bolton e atrair alianças com os hostes do Norte. Ufa!!! Aliás, nem Sansa, muito menos Littlefinger dão as caras por aqui.

A família Greyjoy segue tendo mais destaque no livro que no filme, tem vários capítulos com Asha. Reek, nosso velho Theon, segue dominado pelo bastardo, mas também pelo Lord Bolton, que até agora não morreu, como na série, assassinado pelo filho. Ele se junta a Mance Ryder e seis meninas capangas para libertar a falsa Aryada Winterfell de Bolton. E também tem destaque Victarion, seu tio, que segue rumo leste em busca de um casamento com Daenerys e seus dragões... aliás, o quinto livro poderia ser chamado 
‘Quem quer pegar Daenerys?’ 
afinal, veja só, Victarion Greyjoy, Quentin Martell, Aegon Targaryan, Dario Naharis chega às viass de fatoá, mas ela se casa com o tal Hizdar!!! E antes ela tinha Kahl Drogo, e o Jorah Mormont tinha uma quedinha por ela. Ô mulher desejada!!!

O interessante é que ia lendo, ia lendo, ia chegando o fim do livro, e nenhum sinal de batalha com os mortos-vivos, de sacrifício da pobre Shereen, filha de Stanis, nada de Daenerys sendo presa pelos Dothraki no Dosh Kahlen e colocando fogo, acabando com os machos, nada de Batalha dos Bastardos, nada nadinha acontecia, até que de repente, aparece um capítulo chamado ‘Epilogue’ pois é, o livro ia acabar.... e o epilogue foi com Kevan Lannister, o irmão de Tywin, que era agora o King’s Hand de Tommen.... e também é  a última vez que ele aparece ... o livro acaba com ele morto, sabe por quem, por Lord Varys, aquele mesmo, que não aparecia desdo o início da fuga rumo a Mereen.

Ah, Brienne está viva. Aparece num parágrafo e em outra citação!!
         
Ufa, muita coisa diferente, enfim, e muita coisa do Livro 6 já aconteceu na série....
Estou pronto para o próximo domingo!
Que venha a sétima temporada!!! 
Aqui, a resenha das outras 4.000 páginas
http://blogdohomerix.blogspot.com.br/2017/03/game-of-thrones-feast-for-crows.html

terça-feira, 11 de julho de 2017

Mistério Titânico

Um amigo beatlemaníaco usou a expressão "tudo-ao-mesmo-tempo-agora" numa mensagem, e eu disse a ele:
Vai me dizer que você gosta de Titãs??!!
(HeHeHe, do jeito que eu perguntei, você não vai saber se eu a-do-ro ou se a-bo-mi-no os Titãs. Vai ficar sem saber!!)
E foi assim que respondi a ele, um tempo depois ....
___________________________
Uma coisa de cada vez!
Por que eu iria gostar de uma banda de oito artistas, todos compositores insanos, cinco deles cantores, sete deles instrumentistas, um poeta concreto, um escritor de suspense, um ator bissexto, com trinta e quatro anos de carreira, dezesseis discos lançados além de três compilações e trinta e dois dentes?                  
Por que cargas d'água eu iria enlevar-me com um grupo cujo naipe de ritmos e sons vai do rock pesado ao romântico, passando pelo ska, reggae, punk, grunge e até mesmo o caipira de bom nível?

Dê-me uma razão para eu me encantar com letristas nem brasileiros nem estrangeiros, que conseguem qualificar uma ilha como sonífera, e explicar que o que não é o que não pode ser que não é o que não pode ser que não é o que não pode ser que não é .... é, sem deixar de descobrir que um jesus sem dentes mora no país dos banguelas, ou que babi índio enjoy coca cola, ou ainda que italianos comem pizza italiana na itália, garantindo  que dinossauro, mamute e porco têm, respectivamente, cabeça, pança e espírito, e que não vão se adaptar sabendo que domingo tem sempre programa sílvio santos na televisão (aa uu aa uu!!) e não vão à missa pois não gostam de padre, de freira, de frei, mas fazem um genuflexório ao papanicolau samaritano, querendo comida, diversão e arte com solução, sim, apesar de ninguém saber falar esperanto, jamais esquecendo de dar nome aos bois e medalhinhas para o presidente, revelando a face do destruidor de cachorro, gato e galinha, pra finalmente concluir que felizes são os peixes?  


        
Para que eu deveria prestar atenção a um grupo que perde sua principal e marcante figura desprovida de costeletas e cheia de idéias para seguir numa carreira de poeta concreto aparente, armado de estranhos versos repletos de jogos de palavras preenchendo muitas vezes pouco de páginas de montes de livros, e depois vê seu ponto de equilíbrio ser assassinado por um moto-boy irresponsável, e depois sente a síndrome dos egos e um conflito de agendas afastar um importante ponto de referência pra seguir carreira solo, vê um fundamental integrante de nome francês se afastar por estar cansado, e finalmente um outro importante membro se desligar para fazer cinema, e ainda assim seguir sempre em frente, reduzidos a 3/8 do que eram lá no começo?                                        
É simples: porque são muito bons e eu tenho bom gosto!
Oras!
____________

Arnaldo Antunes
Marcelo Frommer
Nando Reis
Charles Gavin
e já há um ano,
Paulo Miklos...

Espero sinceramente que não se transformem em dupla e que, no limite, tenhamos que tirar o S do nome!!!