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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Kirk e Spock – Como tudo começou

No ano em que se celebra 50 anos do fenômeno Star Trek
 republico este texto, escrito em 2009


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Vem aí o 11º filme da série Jornada nas Estrelas.
Depois de seis longas com a tripulação original e quatro com a Nova Geração, o filme que estréia nesta sexta-feira mostra como foi o começo das carreiras espaciais dos dois principais nomes de toda a história dos que foram, audaciosamente, onde nenhum homem jamais esteve, em busca de novos mundos, novas vidas, novas civilizações, numa missão prevista para durar cinco anos, e que já passou dos quarenta: Capitão Kirk e Sr. Spock.
Há 43 anos, o mundo conheceu a Nave Estelar Enterprise, e começou a admirar a impagável relação entre o seu Comandante, o intrépido e intuitivo humano James Tiberius Kirk, e seu Oficial de Ciências, o racional e lógico vulcano Sr. Spock, com suas orelhas pontudas. Este último, nada surpreendente que fosse racional e lógico, afinal as duas virtudes estão no sangue de quem nasce em Volcano, e na educação que recebem, na doutrina que é seguida por todos. O que deixava a personalidade de nosso Spock mais fascinante é que ele tinha um pezinho na África, digo, na Terra: seu pai Sarek encantou-se com a malemolência de uma professora terráquea, e deu uma daquelas escorregadas a la Lugo, o bispo matador, que pecou pois o voto de castidade que tinha era paraguaio. Brincadeira, a coisa era séria, e eles eram casados de papel-passado, lá no planeta Vulcano, que só tinha gente séria!
Então, o interracial estelar Spock vivia em batalhas internas para tentar entender como pensava seu capitão, que fazia às vezes coisas contrárias à boa norma lógica e era bem sucedido. Spock pensava nas probabilidades, Kirk contava com a sorte. Os papos entre os dois personagens eram sempre pontilhados de ironias em que as diferenças entre humanos e vulcanos apareciam. E aos poucos, Spock foi aceitando Kirk como um amigo, coisa impensável se ele fosse um puro-sangue: em seu planeta natal, a amizade era um sentimento irracional.
A interracialidade era uma constante na tripulação da Entreprise. Seus principais tripulantes, além do americano Kirk, e do extraterreno Spock, eram o médico americano McCoy, o inglês Scott, o russo Chekov, o japonês Sulu e a africana Uhura. Duas coisas impensáveis à época: em plena guerra-fria, um russo numa posição de comando à frente de americanos, e, num país que um ano depois mataria o líder negro Martin Luther King, uma mulher negra cohabitava com não-negros em posição de comando. O próprio Dr. King elogiou a série por isto e, mais especificamente, por ter veiculado a primeira cena de beijo interracial na TV americana, entre a Tenente Uhura e o Capitão Kirk, que era o galinha da série.
Legal pensar num mundo em que não existe o dinheiro, as necessidades de todos são atendidas, as doenças do planeta já estão todas mapeadas e curáveis. Um mundo sem países ou religiões, onde todos pertencem apenas à raça humana.  Americano, Russo, Japonês são apenas referências geográficas, a coisa subiu um nível, e o importante é saber se o indivíduo é Humano, Vulcano, Romulano ou Klingon. Ao escrever-se um endereço numa correspondência, tem que se acrescentar não o poaís em que se vive mas .... ‘Terra’. Eu associo sempre o universo de Jornada nas Estrelas à letra de 'Imagine' magistral composição de um Lennon, em sua carreira solo.
A série durou apenas 3 temporadas, teve um relativo sucesso, mas não o suficiente para uma quarta. A admiração somente apareceu mesmo, e em níveis de histeria coletiva, quando ela começou a ser reprisada, nos anos iniciais da década de 1970. Termos como phaser, teleporte, dobra espacial, começaram a ser entendidos por mais gente. A coisa virou febre, fã-clubes pipocavam nos Estados Unidos e ao redor do mundo. Kirk, Spock e sua turma viraram ícones.
Os principais reponsáveis pela febre tiveram reações díspares ao fenômeno. William Shatner chegou a rejeitar a fama de Kirk, temeroso por ficar eternamente atrelado à imagem do personagem, criticava a onda, e dedicava aos que se aproximavam dele por causa de Kirk um mal-educado: "Get a life!". Entretanto, logo percebeu que a coisa era inevitável e que poderia seguramente se dar muito bem com o fenômeno, e acabou se rendendo às evidências, aparecia nos festivais de Star Trek, e era ovacionado, enfim, acabou gostando da coisa.
Já Leonard Nimoy foi mais resistente. Ator respeitável com uma carreira sólida no teatro, não admitia de jeito nenhum que ficasse eternizado apenas como o-ator-que-um-dia-interpretou-Spock. Ele chegou a escrever um livro intitulado "I Am Not Spock", que provocou uma revolução na comunidade, crises de choro convulsivo, cartas de decepção chegavam aos borbotões em sua caixa de correio. Ele acabou voltando ao grupo para as filmagens do cinema, dirigiu dois dos seis filmes iniciais, que tiveram grande sucesso, e acabou por resolver o conflito interior, quando lançou um segundo livro sobre o tema, quase 20 anos depois do primeiro, desta vez intitulado: "I Am Spock"!!! 
Aquela não foi a única falha de avaliação de Nimoy com relação à franquia: foi-lhe oferecido participar da produção de uma segunda série de Star Trek, "The Next Generation", por volta de 1985, e ele recusou, achando ser impossível que a coisa desse certo uma segunda vez. E deu!!! 'A Nova Geração' ficou bem oito anos em cartaz na telinha e ainda ganhou o direito de perpetuar a série na telona. Muito por causa do charme de shakespereano ator Patrick Stewart e seu francês capitão Jean Luc Picard, e da simpatia do andróide que queria ser humano, Data! Aliás, este último deve ter sido uma das razões para o fim dos filmes, afinal estava difícil manter o ator que fazia o papel de andróide com a cara imutável, já estava ficando constrangedor. Além disso, contribuiu o pouco sucesso do 10º filme.
O fato é que  que arrumaram uma boa linha de continuação da magia, justamente tentando recuperar a mágica interação entre os dois títeres, Kirk e Spock, contando como tudo começou. O resultado foi ótimo. Depois falamos sobre isso.  
E o nome do filme é bastante interessante, super-apropriado para quem queria um recomeço....
... simplesmente ...
“Jornada nas Estrelas”.
Podemos embarcar novamente!
Beam me up, Scotty!


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Mistério Titânico



Uma amiga publicou umas fotos no Face com o título
"Diversão é solução, sim!"
Hora de reviver meu post titânico
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Um amigo beatlemaníaco usou a expressão "tudo-ao-mesmo-tempo-agora" numa mensagem, e eu disse a ele:
Vai me dizer que você gosta de Titãs??!!
(HeHeHe, do jeito que eu perguntei, você não vai saber se eu a-do-ro ou se a-bo-mi-no os Titãs. Vai ficar sem saber!!)
E foi assim que respondi a ele, um tempo depois ....
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Uma coisa de cada vez!
Por que eu iria gostar de uma banda de oito artistas, todos compositores insanos, cinco deles cantores, sete deles instrumentistas, um poeta concreto, um escritor de suspense, um ator bissexto, com trinta e quatro anos de carreira, dezesseis discos lançados além de três compilações e trinta e dois dentes?                  
Por que cargas d'água eu iria enlevar-me com um grupo cujo naipe de ritmos e sons vai do rock pesado ao romântico, passando pelo ska, reggae, punk, grunge e até mesmo o caipira de bom nível?

Dê-me uma razão para eu me encantar com letristas nem brasileiros nem estrangeiros, que conseguem qualificar uma ilha como sonífera, e explicar que o que não é o que não pode ser que não é o que não pode ser que não é o que não pode ser que não é .... é, sem deixar de descobrir que um jesus sem dentes mora no país dos banguelas, ou que babi índio enjoy coca cola, ou ainda que italianos comem pizza italiana na itália, garantindo  que dinossauro, mamute e porco têm, respectivamente, cabeça, pança e espírito, e que não vão se adaptar sabendo que domingo tem sempre programa sílvio santos na televisão (aa uu aa uu!!) e não vão à missa pois não gostam de padre, de freira, de frei, mas fazem um genuflexório ao papanicolau samaritano, querendo comida, diversão e arte com solução, sim, apesar de ninguém saber falar esperanto, jamais esquecendo de dar nome aos bois e medalhinhas para o presidente, revelando a face do destruidor de cachorro, gato e galinha, pra finalmente concluir que felizes são os peixes?  


        
Para que eu deveria prestar atenção a um grupo que perde sua principal e marcante figura desprovida de costeletas e cheia de idéias para seguir numa carreira de poeta concreto aparente, armado de estranhos versos repletos de jogos de palavras preenchendo muitas vezes pouco de páginas de montes de livros, e depois vê seu ponto de equilíbrio ser assassinado por um moto-boy irresponsável, e depois sente a síndrome dos egos e um conflito de agendas afastar um importante ponto de referência pra seguir carreira solo, vê o outro 'chef' da 'cuisine' se afastar por estar cansado, e finalmente um outro importante membro se desligar para fazer cinema, e ainda assim seguir sempre em frente, reduzidos a 3/8 do que eram lá no começo?                                        
É simples: porque são muito bons
e eu tenho bom gosto!
Oras!
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Arnaldo Antunes
Marcelo Frommer
Nando Reis
Charles Gavin
Paulo Miklos...

Espero sinceramente que não se transformem em dupla e que, no limite, tenhamos que tirar o S do nome!!!

domingo, 10 de dezembro de 2017

Luna moments 1

Há seis meses, a vida de minha casa mudou

Chegou Luna!!

Após ser encontrada dentro de um motor de um carro abanado, toda suja de graxa, num terreno baldio de Guarulhos, SP, próxima a outros cinco irmãozinhos, acabou sendo oferecida à Renata, que não resistiu e aceitou... algum tempo depois, o Felipe, na volta de um show em Sampa, a trouxe, Via Dutra, para sua nova morada.

Chegou e arrebatou nossos corações, de imediato!

Os amigos do Facebook já a conhecem.

Registrarei aqui para aqueles que não se submeteram àquela rede social. 

Serão apenas imagens... sem ordem cronológica,  o suficiente para entenderem os motivos de nosso encanto!

ENJOY!!













Depois, tem mais!!!

sábado, 9 de dezembro de 2017

Mais um ano sem Lennon...


37 ANOS
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O dia 8 de Dezembro é uma data notória!

         Ela se encaixa, para muitos, num pequeno grupo das datas mais conhecidas pelo Mundo Ocidental, como:

      25 de Outubro de 1917      
               Revolução Bolchevique,
        6 de Junho de 1944      
      Desembarque na Normandia,
      22 de Novembro de 1963      
               Assassinato de John Kennedy,
      11 de Setembro de 2001      
               Atentado terrorista
      5 de Novembro de 2008      
               Um presidente negro é eleito nos EUA
      8 de Dezembro de ......


      O ano, 1980;
       O fato, um assassinato;
        O país, Estados Unidos;
         A cidade, New York;
          O endereço, Rua 72, Nº 1;
           O local, entrada do edifício The Dakota;
            A noite, pouco enluarada;
             O dia, uma segunda-feira;
            A hora, 22:50;
           O modo, tiros de revólver;
          A bala, Dum-Dum, que explode ao atingir o alvo;
         O ferimento, 4 perfurações nas costas;
        O assassino, Mark David Chapman;
       A vítima, John Winston Ono Lennon;
      O motivo, desconhecido.

         Pois é, nesse dia, Sean e Julian perderam o pai, Yoko Ono perdeu o marido, Paul McCartney perdeu seu grande parceiro e amigo, o mundo das artes perdeu um gênio, os defensores da paz perderam seu ativista mais famoso! E, em última instância, porque não dizer, o mundo da música perdeu a esperança de ter os Beatles de volta, da maneira mais trágica e definitiva possível!
         Naquele dia, uma lágrima rolou em muitos milhões de rostos por todo o mundo, tristes pela perda, chocados pela surpresa, indignados pela violência. O fato provocou enorme demonstração de consternação, uma das maiores da história,  quando, em muitos pontos do planeta, tudo parou por 10 minutos, numa vigília realizada 4 dias depois, em homenagem ao astro desaparecido.
         Terminava então, tragicamente, a passagem de John Lennon pela Terra. Uma vida de sucesso entremeada por momentos traumáticos.

Uma Noite Iluminada
         John veio ao mundo numa noite iluminada, em 9 de Outubro de 1940! Não era uma brilhante lua cheia que iluminava a noite, mas, sim, a luz das explosões provocadas pelo intenso bombardeio alemão que atingia a cidade de Liverpool no momento de seu nascimento. Liverpool era, então, o mais importante porto da Inglaterra, porta de entrada das mercadorias provenientes da América, um dos alvos ingleses preferidos da Luftwaffe durante a 2ª Guerra Mundial.

Os Pais Ausentes
         O pai de John, Alfred, garçom de navios, abandonou a família logo depois da nascimento deste último e partiu, pelo mundo, num navio mercante. A mãe, Julia, não perdeu tempo e logo se casou novamente. O padastro, no entanto, não queria saber do filho do outro. John cresceu, então, na casa de Tia Mimi, irmã de Julia. Apesar do ambiente familiar de classe média, propiciado pelos tios, John cresceu revoltado com o abandono dos pais. Seu comportamento rebelde causava, freqüentemente, enormes constrangimentos à tia Mimi.  Ele conseguiu ser expulso do jardim de infância, aos cinco anos de idade, dentre outros eventos!
         Mas, John gostava muito de sua tia Mimi! Assim que ele ganhou dinheiro suficiente com os Beatles, deu a ela, de presente, uma bela casa de praia, toda mobiliada, em que se destacava um quadro com uma guitarra pintada a óleo e uma inscrição em letras douradas que repetia as "sábias e proféticas" palavras dela, proferidas alguns anos antes:
-       Tudo bem quanto a tocar guitarra, John, mas não pense que vai ganhar a vida com isso!

A Mãe Presente e Perdida

Júlia e John
         Aos 15 anos, John voltou a conviver com Julia, e tinha nela, não só uma mãe, mas uma amiga, com seu espírito jovial. Amante do Rock and Roll, que começava a despontar nos USA, ela ensinou a John os primeiros acordes musicais em um banjo. Extrovertida, andava com John para todos os lados e os amigos dele a adoravam. Brincalhona, costumava andar com óculos sem as lentes, parava um transeunte e pedia-lhe uma informação qualquer. Enquanto a escutava,  Julia coçava os olhos através dos aros só para ver a reação do coitado!
         Tudo ia muito bem, até que o destino deu um duro golpe no rapaz: em Julho de 1958, quando atravessava a rua da casa de sua irmã para pegar um ônibus, Julia foi atropelada por um policial bêbado, de folga, sendo lançada a 10 metros de distância, e morrendo instantaneamente, aos 44 anos de idade.

Stuart Sutcliffe
A Perda do Melhor Amigo
         No Liverpool Art College, onde estudava, John, por seu temperamento arredio, tinha poucos amigos. O maior deles, um elogiado aluno de pintura, Stuart Sutclife, era o companheiro de todas as horas, dos bons e maus momentos, das brigas e das farras com as garotas. Por insistência de John, que o convencera a comprar uma guitarra-baixo, Stuart acabou fazendo parte dos Beatles, bem antes da fama.
         Mas, o negócio dele era a pintura! Em Hamburgo, na Alemanha, onde os Beatles permaneciam longos períodos, eles conheceram Astrid Kirchherr, uma fotógrafa intelectual que logo se apaixonou por Stuart. Astrid foi responsável pelas primeiras e históricas fotos dos Beatles. Numa dessas viagens, Stuart optou por desenvolver seu elogiado trabalho na pintura e acabou ficando por lá, vivendo com a namorada Astrid. Algum tempo depois, no entanto, morreu, com 21 anos de idade, vítima de um aneurisma no cérebro, lesão provavelmente iniciada em uma das muitas brigas em que se metia juntamente com John. Este último carregou, desde então, uma ponta de culpa pela morte do melhor amigo, pois tais brigas eram invariavelmente causadas por ele e sua língua ferina.

O Inferno das Drogas
         Após três anos de fama mundial, os Beatles, influenciados pelo ambiente em que viviam, se tornaram vítimas naturais das viagens prometidas pelas drogas alucinógenas, ajudados até mesmo pela ingenuidade de sua juventude, que não estava muito bem informada sobre a magnitude de seu efeito nocivo. Começaram pela maconha e logo chegaram ao LSD, o ácido lisérgico.
         John era sempre o pioneiro nos experimentos e não há dúvidas que muitas de suas melhores músicas foram produzidas nessa época, durante 'viagens' alucinantes, apesar de ele sempre negar. Uma das negativas mais famosas foi quanto à famosa Lucy in the Sky with the Diamonds, acusada de ser uma ode às drogas, por causa das iniciais L, S e D. John negava, veementemente, a influência, alegando que a inspiração viera de um desenho de Julian, seu primeiro filho, então com quatro anos, que mostrava sua amiga Lucy voando em meio a diamantes. Muito difícil acreditar nele, entretanto, após observar a letra da música, povoada por citações como  ....cellophane flowers of yellow and green... , ...newspaper taxis appear on the shore... , ...with your head in the clouds..., ...the girl in caleidoscope eyes... e tantas outras!
Desenho de Julian
         John foi mais fundo e chegou à beira do abismo! Uma vez, em meados de 1966, chegou efetivamente perto! Paul McCartney e George Martin estranharam a ausência prolongada de John em uma sessão de gravações nos estúdios da EMI em Abbey Road, traçaram seu caminho e encontraram-no no telhado do edifício, pronto para realizar de verdade o sonho de voar que sua mente, então afetada, lhe sugeria em imagens alucinantes.

         John só se libertou das drogas após um intensivo tratamento a que se submeteu em 1971 juntamente com Yoko, em Los Angeles, num momento em que até heroína havia entrado em seu cardápio alucinógeno.

A Vigilância da CIA e do FBI
         Profundo admirador de New York e do american way of life (e para fugir do Taxman britânico), John decidiu fixar residência nos Estados Unidos em finais de 1971. Mas não seria nada fácil! Visto pelas autoridades de segurança americanas como um verdadeiro animal político, John teve todas as dificuldades possíveis para obter permissão para viver em solo americano. A CIA, principalmente e o FBI mantinham vigilância constante em todos os seus passos. Ele fazia parte de um seleto grupo de 7.200 indivíduos considerados muito perigosos pela CIA. Seu telefone era grampeado, seus passeios, tanto a pé quanto de carro, eram seguidos de perto por agentes nada discretos. A pressão era tamanha que chegou a comentar com amigos:
         "Caso algo aconteça a mim ou a Yoko, saibam que não foi acidente! (.....)"
         Seu Greencard (e de Yoko) só foi concedido no início de 1975, após longo processo, quando ele já havia diminuído a zero seu nível de atividade política.

Momentos de Paz / Prelúdio para a Morte
John e Sean
         Em 9 de Outubro de 1975, nasceu Sean, seu primeiro filho com Yoko, após 3 abortos não programados. John anunciou, então, que iria retirar-se, completamente, da vida artística por um período indeterminado, um pouco por pressão de Yoko e muito por remorso: John se culpava por não ter acompanhado de forma adequada o crescimento de seu primeiro filho Julian, então com 12 anos, devido à loucura da Beatlemania. Decidiu então que, desta vez, seria diferente!
         Durante quase cinco anos ficou em casa, trocando fraldas, preparando mamadeiras e dedicando-se totalmente a Sean enquanto Yoko cuidava (e bem!) da administração de seu patrimônio. Só pegava no violão para cantar para seu filho e ensinar-lhe, ainda que prematuramente, os primeiros acordes.
         Em meados de 1980, decidiu que era hora de voltar! Numa viagem para as Bahamas, produziu, em poucos dias, material musical suficiente para encher dois álbuns completos. Numa primeira seleção, montou aquele que seria seu último álbum, enquanto vivo, Double Fantasy, cujo carro chefe era a faixa (Just Like) Starting Over, que, já no título, anunciava o seu começar de novo.
         Seu retorno foi festejado pela imprensa, que, seguidamente, o chamava para entrevistas. Numa delas, realizada naquela mesma segunda-feira, 8 de Dezembro de 1980, aos 40 anos de idade, um Lennon de bem com a vida desfilou seu clássico humor e, entre devaneios sobre vida e morte, declarou:
         "Eu e Yoko já temos tudo planejado para chegarmos até os 80 anos!"

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Encontro de John com Chapman
         Tudo poderia ter saído conforme seus planos se, na volta dessa entrevista, um certo jovem de Atlanta, de nome Mark David Chapman, não o estivesse esperando em frente ao The Dakota para, após cumprimentá-lo e deixá-lo seguir, apontar uma arma para suas costas e chamar:

                                            "Mr. Lennon!"
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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Uma Noite em 67

'Uma Noite em 67', que filme!! Um festival inesquecível!!
Acabei de ler a autobiografia de Rita Lee e me lembrei da primeira ocasião em que a vi, com um coraçãozinho de batom no rosto, cantando 'Hey José, Hey João'
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Foi emocionante lembrar aquela noite em que disputavam o título do 3º Festival da Música Popular Brasileiro, da Record, uma plêiade de jovens nomes, que viriam a consolidar sólidas carreiras por décadas a fio.  

  1. Tinha um Roberto Carlos, com 26 anos, defendendo uma música que não era dele, um estilo que não era dele, 'Maria, Carnaval e Cinzas', mas já com a voz suave e romântica que era dele e que viria a exercitar nas 4 décadas seguintes, encantando gerações;
  2. Tinha um Caetano Veloso (24), com seu paletó xadrez amarelo (contaram que era amarelo), defendendo sua 'Alegria, Alegria', acompanhado de guitarras, e já mostrando seu jeito peculiar de dar entrevista;
  3. Tinha um Chico Buarque (23), de smoking, sempre com cigarro na mão enquanto não cantava, e desfilando emoções crescentes em sua 'Roda Viva' com um arranjo apoteótico final monumental do MPB-4;
  4. Tinha um Gilberto Gil (25) firme nas entrevistas, acompanhado de Rita Lee (20) e as guitarras mutantes, contando a história de João e José num 'Domingo no Parque', que era minha favorita para o título;
  5. Finalmente, tinha um Edu Lobo (24), com a grande campeã 'Ponteio'com um refrão imbatível 'Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar', impossível ganhar de um refrão como esse.


Tudo isso entremeado com bons depoimentos atuais dos astros, e dos organizadores, e dos jurados, está no documentário 'Uma Noite em 67', que está sendo levado nas melhores casas do ramo.

Quem viveu aquele momento, creio que vai correr ao cinema, como eu; quem não viveu tem que conferir para ver como se fazia música naquele tempo, em que não havia novelas, mas sim musicais, a boa música era muito valorizada, eram programas de auditório todos os dias, sempre com grandes astros. Tinha 'O Fino da Bossa' com Elis Regina e Jair Rodrigues, e lembro-me com saudade de 'Esta Noite Se Improvisa', em que Chico e Caetano se degladiavam para saber quem descobria mais canções a partir de uma palavra chave, desafiada pelo apresentador Blota Júnior, às vezes inventando uma música, composta ali mesmo de improviso, só pra usar a tal palavra. 


E aqueles jovens faziam letras magníficas. Valorizo muito a letra e fico estupefato com as coisas que fazem sucesso hoje. O Chico, tão novinho, já havia sido campeão do festival do ano anterior, com 'A Banda', e já tinha no currículo pérolas como 'A Rita', 'Pedro Pedreiro', 'Olê, Olá', 'Noite dos Mascarados', além da genial 'Quem Te Viu Quem Te Vê'. Compara com as coisas que correm por aí, hoje? Impossível!


O documentário não se esqueceu de dar o devido destaque ao episódio de Sérgio Ricardo falando 'Vocês venceram!', e quebrando a viola, e jogando-a sobre platéia que o vaiava estrepitosamente. Coitado!


Faltou depoimento da hoje atuante Deputada Estadual (essa merece letra maiúscula) Cidinha Campos (25), na época repórter que abordava os artistas, juntamente com Randal Juliano, sempre com um cigarro na mão, era coisa comum naqueles tempos.


E foi pena que não mostraram a imagem da grande Elis Regina (22), que defendia 'O Cantador' de Nelson Motta (23), garantindo o título de Melhor Intérprete, como sempre ganhou e ganharia, em qualquer concurso que disputasse. Talvez não tenham priorizado as imagens dela, por ela não estar presente pra dar seu depoimento, ou ainda porque as imagens não estivessem com qualidade suficiente. Ao menos, usaram o som de sua performance, enquanto passavam os créditos finais, e eu me recusava a ir embora, querendo mais e mais.


Queria que mostrassem trechos das três eliminatórias, quando as canções foram pela primeira vez apresentadas ao público, para lembrar mais um pouco das emoções que eu (9) senti, reunido na casa de um primo meu, com 10 pessoas acocoradas em frente a uma TV branco e preto. O que temos de parecido, hoje em dia?


Queria mais ... mas o que tive foi ótimo ... sempre sonhei em rever aquelas imagens assim, juntas...


O Bonequinho olha  .....


..... e o Homerinho chora!!!


Homero Se Vendo Menino Ventura

domingo, 3 de dezembro de 2017

Versos de uma carreira


Minha despedida de 35 anos de carreira 
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5 de Fevereiro de 1981 
Engenheiro recém-formado,
Meio que ressabiado,

Pois incerto era o percurso.
Salvou-me aquele concurso! 

No começo da década perdida,
Acolheu-me a empresa querida. 

Na entrada, o cartaz dizia:
Sorria, você está na Bahia!

Éramos duas centenas,
Enfrentando a duras penas,

Um novo mundo admirável,
Técnica inacreditável,

Em que para o fundo se monta,
Sem nunca se ver a obra pronta.

5 de Fevereiro de 1982
Ao final de um ano base,
Ouvi a encantada frase:

“Quer vir para o Rio de Janeiro?
Entregue-se por inteiro

À Petrobras Internacional!”
Era um destino, afinal,

Que muito me interessava,
Pois perto de casa ficava.

Acompanhava a produção,
Mas sem muita emoção,

De três campos chinfrim...
Foram cinco anos assim.

5 de Abril de 1987
 Dei uma certa levantada
Com Sistemas de Produção Antecipada 

5 de Novembro de 1988
Mas seguia desanimado,
Lá num cantinho jogado,

Quando um guru chegou,
E de leve perguntou:

“Não tá a fim de mudar?
Vem comigo analisar

Contratos de Exploração!”
Eles eram de Concessão

E também de Partilha,
E virei o Rei da Planilha,

Encontrei o meu recanto!
Até viajei um tanto,

Assessorando negociação,
Muita conta e reunião,

Buscando oportunidade.
Foram 11 anos na idade!

4 de Outubro de 1999
Estava bem realizado
Quando veio o chamado!

Precisavam de mim!
Almejada missão, enfim!

E lá nos Estados Unidos.
Eram os sonhos atendidos!

Seria um gerente novato
E o desafio era um fato!

Situações bem complexas
Mas fomos todos pro Texas!

Como a responsabilidade requer,
Nos mudamos eu e mulher,

Mais sogra, cunhado e crianças.
Contabilidade e Finanças

Viraram meu dia a dia. 
Um mundo que não conhecia,

E com gente de todo plano:
Tinha até americano!

Emoção de tudo que é jeito!
Procurei fazer direito,

Mas penei um bocado,
Deixando um pouco de lado

O convívio familiar,
Até a missão terminar!

Foram 4 anos intensos...
Intensos e tensos momentos!

Felizmente, sobrevivi,
E cheguei feliz aqui.

4 de Janeiro de 2004
Fiz de tudo um pouco
Não era fácil, tampouco!

Aprendi Comunicação
Com a melhor profissional então.

4 de Setembro de 2004
Mas voltei ao Portfolio,
À procura do petróleo,

Buscando fincar raízes
Apenas naqueles países 

De fora da América Latina.
Mas como era minha sina,

4 de Outubro de 2008
Voltei ao patamar
De ativos consolidar!

1º de Abril de 2011
O final foi na Estratégia,
Aprendendo de forma régia

Como prever o futuro!
Como todo início, foi duro,

Mas a equipe me ensinou,
E mesmo alguns prêmios ganhou!

Foi meu último posto gerente.
Depois tive um ano contente!

16 de Junho de 2015
No E&P, encontrei abrigo,
Com velhos e novos amigos.

16 de Setembro de 2016
Total: 13007 dias !
Na maior parte, alegrias,

Fica uma boa lembrança
E agora, a esperança

Que a empresa se levante!
De fora, sigo adiante!

Muitas pessoas a lembrar...
Seria injusto listar!

Limito minha seleção
Aos dedos de uma mão

Destaco cinco amigos
A quem sempre bendigo:

Além do guru Adauto,
Que me propôs um salto

E mudou minha carreira,
Bertani, Camargo, Figueira,

E a Márcia da Comunicação!
Estão todos em meu coração!

Sem mais então me despeço,
Desejando a todos sucesso!

A todos meu muito obrigado,
E seguimos conectados!

Para tanto, não há qualquer truque:
Deixo Blog, Email e Facebook!