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quinta-feira, 25 de junho de 1998

5 de Outubro de 1962 ... Que dia!

Outubro é um mês marcante para mim
... e todos os Beatle&Bond maníacos como eu!
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         Foi em Outubro de 1962, no dia 5, que foi lançado o primeiro single (lembram-se dos antigos compactos?) de um grupo com um nome estranho que se assemelhava a "Os Besouros", composto por 4 jovens entre 19 e 22 anos de idade, vindos de Liverpool, cidade portuária do noroeste da Inglaterra, liderados por um tal de John Winston Lennon, um tanto quanto narigudo.

         A gravadora era a EMI, em seus estúdios da Abbey Road. O selo era o Parlophone, comandado por George Martin, um selo até então dedicado a músicas orquestradas e a gravações de peças teatrais. Martin, um maestro de mancheias, sentiu nos rapazes um potencial enorme, tanto que assinou um contrato antes de ouvir o primeiro teste ao vivo, só baseado em gravações em fita e no carisma pessoal percebido na primeira entrevista. Os chefes da EMI não entenderam muito bem aquele procedimento, nunca dantes visto, mas acreditaram no feeling do maestro.
         Por aí se vê a diferença entre um visionário e um burocrata! Pouco mais de 9 meses antes, mais precisamente em 1º de Janeiro de 1962 (isso mesmo, no  primeiro feriado do ano!), os rapazes, ainda com Pete Best na bateria, haviam feito um extensivo teste de estúdio na Decca Records, principal concorrente da EMI naquela época.
Os rapazes, apesar de não disporem dos próprios instrumentos, tocaram 15 músicas e mostraram toda sua cancha de palco de quem está há 4 anos na estrada, . Estavam um pouco nervosos, mas deram um bom recado, tendo mostrado sucessos de Chuck Berry, Little Richards e outros maiorais da época mas, principalmente, e diferentemente de todos os grupos da época, apresentaram material próprio, composto por Lennon e McCartney.  No entanto, o burocrata de plantão ouviu tudo com aquela cara de tacho e sacramentou: "Esses grupos com guitarras estão com os dias contados!" e rejeitou o grupo! Claro que o "gênio" perdeu o emprego alguns meses depois, apesar de ele estar intrinsecamente certo, pois os dias estavam realmente contados: só que o contador já está em 16800 e crescendo!
         Este teste na Decca se constitui num dos mais procurados discos piratas de todos os tempos, os famosos "Decca Tapes".
         Os rapazes ficaram desanimados, mas Brian Epstein, seu empresário, continuou a luta, tentando vender o grupo, viajando com as fitas debaixo do braço até que bateu à porta da EMI, conversou com George Martin e marcou uma entrevista. Nela, sem segurar um instrumento, eles conquistaram Martin: John Lennon mostrou seu proverbial e cínico humor inglês, Paul McCartney não ficou muito atrás com seu charme pessoal e George Harrison, o mais novinho do grupo, mesmo que já merecedor da alcunha de "The Quiet Beatle", fez uma piadinha sobre a gravata de George Martin. Pete Best permaneceu mudo como uma porta de mogno! O comportamento deste último, associado à sua batida burocrática da bateria, fez com que Martin se dirigisse a Brian Epstein com a histórica pedida: "Tudo bem! Eu assino um contrato com os rapazes, mas que eles venham com outro bateirista!" Esta foi a porta de entrada de Ringo na banda, que veio a se mostrar fundamental para o sucesso do grupo, anos depois! 
                                                                                                                                                          O compacto tinha, no lado A, "Love Me Do". Aquela antológica gaitinha de Lennon na introdução, a perfeita harmonia vocal entre Lennon e McCartney, a parada total para a entrada do solo vocal de McCartney, eram coisas novas no mercado fonográfico, apesar de a música ser simplíssima na letra e mais ainda nos acordes, os tradicionais C/D/G (Dó Maior / Ré Maior / Sol Maior). No lado B, "P.S. I Love You", uma típica McCartney, mostrando a mesma afinada harmonia vocal, uma ainda bobinha e adolescente carta de amor. No entanto a letra era um pouco mais bem elaborada e a estrutura de acordes um pouco mais complexa (continha mais de 3 acordes!).
         Eles conseguiram chegar ao 17º lugar na parada nacional inglesa, feito nunca antes alcançado por nenhum outro artista em seu compacto de estréia. Dizem as más línguas que, na verdade, boa parte daquele sucesso inicial fora garantido por Brian Epstein que, no afã de conseguir uma boa estréia teria comprado uma quantidade obscena (Remember  Richard Gere em Pretty Woman!) de discos para a NEMS, uma rede de lojas de disco de sua propriedade em Liverpool. Verdade ou não, o intuito foi alcançado, o compacto foi muito tocado na BBC e em outras rádios menos cotadas e logo eles foram chamados para a gravação do segundo compacto, com "Please Please Me" e "Ask Me Why" que chegou rapidamente ao topo das paradas, feito que os Beatles repetiriam por incontáveis vezes nos anos seguintes, seja com compactos ou LP's.  
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         Foi também em Outubro de 1962, e também no dia 5, que foi lançado na Inglaterra o primeiro filme de James Bond,  Dr. No, no Brasil lançado como 007 Contra o Satânico Dr. No, com Sean Connery no papel título e a estonteante Ursula Andress (aaaaahhh!) no papel de Honey Rider, como a primeira Bond Girl!
      Também, como os Beatles, Sean Connery foi admitido no papel do mais famoso agente secreto de todos os tempos sem teste de câmera só que, neste caso, o teste não foi feito pois ele "peitou" Albert Brocolli, o produtor da série, dizendo que não admitia ter que se submeter a teste, já tendo alguns anos de estrada. Este comportamento, que mostrou sua personalidade, bem como o voto decisivo da esposa de Brocolli, que o considerou o mais charmoso para o papel, foram fundamentais para sua escolha.
         Neste filme foi proferida pela primeira vez a frase recentemente eleita pelo Guinness Book como "A Mais Famosa Frase Cinematográfica de Todos os Tempos". O mais interessante foi a forma como ela foi dita no filme.
         A primeira cena do filme foi centrada nos vilões e não teve a presença de Bond.
         . A segunda cena é passada num cassino.
          . Numa mesa redonda, várias pessoas jogam poker.
           . A câmera é posicionada por trás de um cavalheiro.
            . À frente dele, uma mulher dispara olhares
                  mistos de admiração feminina
                    e raiva pelo dito cujo, que ganhava todas.
                   Até que ela se dirige a ele:
                      -   You are very lucky today, Mr. ......
                                foco nas mãos do cavalheiro,
                                acendendo um isqueiro e,
                                logo a seguir, foco nele,
                                que complementa, após uma tragada:
                       -  .... Bond, James Bond!
                                (entra a música tema .....)

         Esta frase foi repetida em outros 20 filmes do agente, com pequenas variações como:
     -       My name is Bond, James Bond!        ou
      -       The name is Bond, James Bond!       ou
      -       Name is Bond, James Bond!             
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            É........ naquele dia 5 de Outubro de 1962, os deuses do entretenimento estavam inspirados! Ambos os fenômenos continuam vivos e faturando horrores até hoje, mais de 4 décadas depois!      

quarta-feira, 25 de março de 1998

Paul Is Dead (1998)

         Há tempos que venho pensando em escrever mais algumas linhas sobre os fab-four mas o trem do trabalho vem me atropelando com frequência. Agora que abriu-se-me uma brecha, uso o tempo para contar-lhes mais uma historinha, sem compromisso nenhum além de aumentar-lhes a cultura inútil, mesmo que para nada sirva.
         Alguns podem ter ouvido falar sobre a suspeita da morte de Paul, no auge da carreira dos Beatles em um suposto acidente de automóvel e sua substituição por um perfeito sósia. Ouviram? Seja qual for a resposta, aqui vai um pequeno relato de parte do episódio.
         Tudo o que envolvia, ou fazia menção, ou simplesmente lembrava qualquer um dos 4 Beatles, na época, era motivo de especulações dos ensandencidos fãs. Imaginem um boato como este! Um sem número de evidências que comprovariam a morte de Paul foram encontradas em músicas, declarações, anúncios de jornal, etc. Sei de algumas delas que só interessam aos mais fanáticos e que não cabe aqui detalhar. Restrinjo-me agora ao mais interessante deles.
          Certamente todos já conhecem a capa do último LP dos Beatles, o ABBEY ROAD. Se ainda não sabem do que se trata posso garantir que pelo menos já a viram em algum momento de vossas vidas. É aquela em que os 4 rapazes atravessam a faixa de pedestres da rua dos estúdios da EMI, a Abbey Road, ou Rua da Abadia, em que gravaram a grande maioria de suas belas músicas. Lembraram? Ainda não? Em caso negativo, sugiro que passem imediatamente em qualquer loja do ramo e adquiram o CD, pois trata-se de um dos 3 melhores discos que seres humanos já produziram em todos os tempos. Aliás, é nesse disco que está a chamada equação do amor a qual me referi em uma outra mensagem:  ...and, in the end, the love you take is equal to the love you make!
         Bom, se tiverem a curiosidade de checar, notem:
1.      Os 4 estão em fila indiana;
2.      John segue à frente, de terno branco;
3.      Ringo a seguir, de terno preto;
4.      Paul, a seguir, com roupa informal chique e descalço;
5.      George, finalizando, todo em jeans;
6.      Paul é o único com o pé direito à frente;
         Os demais têm o pé esquerdo à frente;

7       Há um fusca bege descompromissadamanete estacionado no lado esquerdo. Sua licença é 2 8 I F.
         Não seria nada além de mais uma bela capa beatle se os fãs não tivessem usado sua fértil imaginação para descobrir nada menos do que 7 evidências irrefutáveis de que Paul estaria mesmo morto!
         Senão, vejamos:
1.      Os 4 estão em fila indiana, como todo bom cortejo fúnebre;
2.      John segue à frente, de terno branco, como todo bom médico,
         que lhe proporcionara o atestado de óbito;
3.      Ringo a seguir, de terno preto, como todo respeitável padre,
         que lhe proporcionara a extrema-unção;
4.      Paul, a seguir, com roupa normal, mas descalço como todo bom defunto,
         segundo milenar costume da Índia, país que todos eles cultuavam naquele momento;
5.      George, finalizando, todo em jeans, um traje simples, como todo humilde coveiro,
         para lhe proporcionar cova digna;
6.      Paul é o único com o pé direito à frente;
         Os demais têm o pé esquerdo à frente.
         Sinal de leseira de morto.
7.      Há um fusca bege descompromissadamanete estacionado no lado esquerdo.
         Sua licença é 2 8 I F, que naturalmente, quer dizer:
         "Paul would be 2 8 years old, I F he were alive"
         Pode?!!!!!
         Esta capa ficou mundialmente famosa, não por causa disso, mas por si mesma. Desde os idos de 1969, todo santo dia, ao menos uma pessoa, às vezes dezenas, preferencialmente em grupos de 4, repete a coreografia, com pé trocado do 3º e tudo o que tem direito. Entre elas, o bocó aqui! Só que como eu sempre ia sozinho, tinha que esperar por outros 3 bocós para acompanhar-me na jornada e um 5º para tirar a foto, sendo que, na última vez, eu nem máquina tinha! Pedi ao bocó japonês que me enviasse a cópia! Ainda não recebi!
         O citado fusca bege ganhou notoriedade imediata e começou a passar de mão em mão de colecionadores. O último maluco o arrebatou em leilão, alguns anos atrás, pela bagatela de 300.000 Libras esterlinas, ou R$ 1.200.000!
         Vinte e seis anos depois, em 1995, Paul, muito vivo, ainda capitalizou em cima de sua fama de morto.
         Lançou um disco ao vivo com trechos de sua fantástica e muitíssimo bem sucedida excursão mundial.
         A capa do disco mostra a mesma rua, com um fusca similar àquele, estacionado no mesmo ponto, mas com uma licença 5 4 I S, e ele, Paul,  sendo puxado por uma cadela da mesma raça de sua antiga cadela Martha, que ele tinha na época do Abbey Road.  Deu ao disco o nome de "Paul is Live". O nome tem triplo sentido:
1.      "Paul is Live", pois é um disco ao vivo, não gravado em estúdio;
2.      "Paul is Live", pois ele não está morto, mas sim bem vivinho, apesar dos boatos;
3.      "Paul is Live", pois, além de estar fisicamente vivo, está também artisticamente vivo, ainda fazendo turnês de grande sucesso e vendendo muitos discos, 26 anos depois de terminado o grupo.   

         Para completar, a licença é   5 4 I S    pois, " .... now, Paul   I S   5 4 years old! "
         Fantástico, não?!!!!!